A AMD acertou a compra da World Labs por cerca de US$ 8,2 bilhões (aprox. R$ 44,3 bilhões) em ações. Fundada há dois anos e liderada por Fei-Fei Li, a startup desenvolve sistemas capazes de interpretar e criar ambientes em três dimensões.
A tecnologia, chamada de inteligência espacial, tenta fazer a IA entender a posição, a distância e o movimento de objetos em um espaço. Em vez de apenas reconhecer que existe uma cadeira ao lado de uma mesa, o sistema busca prever o que aconteceria se alguém passasse atrás dela ou se os objetos interagissem.
Com a aquisição, Li será a cientista-chefe da AMD e responderá diretamente à presidente do conselho e CEO, Lisa Su. Os cofundadores Justin Johnson e Ben Mildenhall também continuarão na equipe. O negócio ainda depende de aprovação regulatória, prevista para o fim do ano.
A Nvidia investiu na World Labs em fevereiro, ao lado da AMD, quando o laboratório era avaliado em cerca de US$ 5 bilhões (aprox. R$ 27 bilhões). Como o pagamento será feito em ações, a Nvidia deve receber papéis da rival, embora não tenha informado o tamanho de sua participação. A operação representa um prêmio de aproximadamente 64% sobre a avaliação anterior.
A Nvidia ainda mantém vantagem em modelos de IA para ambientes abertos. Seu modelo físico Cosmos já é usado por Samsung e LG no desenvolvimento de robôs. A compra também foi criticada por Pedro Domingos, professor emérito da Universidade de Washington, que classificou a operação como uma possível acquihire (aquisição feita principalmente para contratar a equipe da empresa).
A transação ocorre uma semana depois de a AMD alcançar US$ 1 trilhão (aprox. R$ 5,4 trilhões) em valor de mercado pela primeira vez. A empresa se tornou a quarta fabricante de chips dos Estados Unidos a superar essa marca, atrás de Nvidia, Broadcom e Micron.



