A América Latina movimentou US$ 593,8 bilhões em criptomoedas nos 12 meses encerrados em junho de 2026, alta de 9,8% sobre o período anterior, segundo a BeInCrypto Brasil, com base em relatório da Chainalysis divulgado em 23 de setembro.
O avanço foi puxado pelas stablecoins, criptomoedas com valor atrelado a uma moeda tradicional, em geral o dólar. Em junho, elas respondiam por 32,1% do valor enviado entre países da região, 22,1% das transferências P2P, feitas diretamente entre pessoas, e 17,6% dos saldos guardados em carteiras pessoais.
O Brasil seguiu como o maior mercado latino-americano, com US$ 252,5 bilhões movimentados no período. O país também ficou em primeiro lugar no índice global de adoção de cripto da Chainalysis.
Argentina, com US$ 88,5 bilhões, México, com US$ 77,6 bilhões, Venezuela, com US$ 39,1 bilhões, e Colômbia, com US$ 29,1 bilhões, completam a lista dos cinco maiores mercados. Juntos, esses países concentram mais de 80% da atividade cripto da região.
Apesar da liderança brasileira, o crescimento regional não veio do Brasil. A economia cripto do país recuou 1,6%, enquanto México avançou 25,5%, Argentina subiu 15,3%, Colômbia cresceu 13,8% e Venezuela disparou 107,2%.
Para Ben Reid, chefe global de stablecoins da Bitso, a demanda regional tem três motores: “inflação persistente, volatilidade cambial e controles de capital restritivos em vários países”, disse ele à Chainalysis.
No México, 61% da atividade cripto passa por stablecoins, e as entradas desses ativos em plataformas locais chegaram a US$ 8,4 bilhões no segundo trimestre de 2026. No Brasil, a economia de stablecoins cresceu 495%, contra alta de 89,4% no restante da região.
O número de carteiras brasileiras com pelo menos US$ 10 mil em stablecoins subiu 347% desde julho de 2024. Ainda assim, o uso no país tem perfil mais empresarial, segundo Julia Rosin, presidente da ABCripto.
“A visão do próprio mercado é que as stablecoins são, antes de tudo, para empresas, à frente de instituições financeiras e consumidores”, disse Rosin à Chainalysis. O relatório também aponta que o Pix, usado por 91% dos brasileiros, reduz o espaço das stablecoins nos pagamentos do dia a dia.




