A ata divulgada pelo Federal Reserve na quarta-feira, 8 de julho, mostrou divergências internas sobre uma possível alta de juros ainda neste ano, embora os 12 membros votantes tenham mantido a taxa entre 3,50% e 3,75%. Foi a primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, que não apresentou estimativas próprias e descreveu a discussão interna como um “bom debate”.
A maior parte dos participantes apontou risco persistente de inflação, citando tarifas, custos de energia no Oriente Médio e a demanda puxada pela inteligência artificial por tecnologia, data centers e eletricidade. Nove dos 19 integrantes passaram a projetar pelo menos uma alta de juros até o fim de 2026, revertendo previsões anteriores que indicavam nenhuma elevação.
IA, inflação e pressão sobre o mercado cripto
Os técnicos do Fed elevaram as projeções de inflação para 2026 e 2027. O núcleo da inflação ficou em 3,3% em abril e foi estimado em cerca de 3,4% em maio, acima da meta de 2% da autoridade monetária. Parte dos membros reconheceu que os investimentos em IA podem reduzir custos no longo prazo, por ganhos de produtividade, mas avaliou que esse efeito deve demorar anos para aparecer.
Nesse ambiente, o Bitcoin era negociado perto de US$ 62.240, em queda aproximada de 2,7% nas últimas 24 horas, segundo dados citados pela reportagem original. O movimento veio após uma prévia do documento já apontar incerteza em torno da posição de Warsh. A leitura do mercado é que juros altos e dólar forte continuam tirando liquidez de ativos de risco, como as criptomoedas.
Para o investidor brasileiro, decisões do Fed costumam mexer com o dólar e com o apetite global por risco, o que pode influenciar tanto o preço do BTC em reais quanto o fluxo para ativos locais.
Analistas ouvidos pela reportagem disseram que parte do capital que antes poderia ir para cripto agora está migrando para ações dos EUA ligadas à IA, chips, data centers e infraestrutura de energia. Evgeny Popov afirmou que o Bitcoin não conseguiu sustentar uma narrativa tão forte quanto a dessas empresas, enquanto Nikita Zuborev destacou o peso do dólar fortalecido e dos juros elevados. A próxima reunião do FOMC está marcada para 28 e 29 de julho, e os próximos dados de inflação e emprego devem orientar o próximo passo do Fed.




