O Bitcoin (BTC) era negociado a US$ 68.500, cerca de R$ 397.300, com alta de 3,1% em 24 horas, enquanto o Ethereum (ETH) retornou à região de US$ 2.130, aproximadamente R$ 12.350. Entre os ativos de menor capitalização, o Algorand (ALGO) subiu 22% no mesmo intervalo. O movimento ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o conflito com o Irã poderia terminar em “duas a três semanas”, o que ajudou a levar o petróleo momentaneamente para abaixo de US$ 100 por barril.

A leitura do mercado é que a queda do petróleo reduziu a pressão sobre o DXY e devolveu parte do apetite por risco aos investidores, favorecendo uma alta coordenada de Bitcoin e altcoins. No movimento anterior, o fechamento do Estreito de Ormuz havia levado o barril acima de US$ 100 e contribuído para a queda do BTC de US$ 74.000 para US$ 66.016, reforçando a sensibilidade das criptomoedas ao cenário geopolítico e energético.

O que os derivativos mostram

Os dados, porém, não apontam para uma reversão estrutural clara. Segundo a análise, o open interest dos contratos futuros de Bitcoin não cresceu de forma relevante durante a alta, sinalizando um rali mais ligado à demanda spot e ao fechamento de posições vendidas do que à entrada de novas apostas compradas com alavancagem.

  • A alta do ALGO em 24 horas é compatível com um short squeeze em ativos que vinham de forte queda.
  • A estrutura de opções abaixo de US$ 68.000 segue em zona de gamma negativo, o que pode acelerar correções se o BTC voltar a perder esse nível.
  • Desde o início de fevereiro, o Bitcoin oscila entre US$ 62.500 e US$ 75.000, sem romper de forma definitiva nenhuma das pontas.
  • Na semana anterior à queda de março, os ETFs spot de Bitcoin nos EUA receberam US$ 683 milhões em entradas líquidas, mas isso não impediu um recuo de quase 12% no BTC diante do choque do petróleo.

Para o leitor brasileiro, o quadro reforça que fatores externos, como petróleo e dólar, podem afetar diretamente o preço do BTC em reais, mesmo quando há fluxo positivo para ETFs nos Estados Unidos.

Em conjunto, os indicadores sugerem que a alta recente foi sustentada mais por alívio técnico e recomposição de posições do que por mudança consistente na tendência de baixa observada desde outubro. O ponto central, segundo a análise, é a falta de expansão do open interest, vista como o principal sinal de que ainda não há convicção forte por trás do movimento.