O Bitcoin passou de US$ 85 mil (aprox. R$ 493 mil) e o ouro subiu em poucos minutos nesta quarta-feira, depois que a inflação dos Estados Unidos veio abaixo do esperado. O índice PCE, uma das medidas mais acompanhadas pelo Federal Reserve, avançou 3,4% em 12 meses, contra previsão de 3,7%.
O PCE mede os preços pagos pelos consumidores americanos por bens e serviços. No núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, a alta foi de 3,0% em 12 meses, também abaixo do consenso de 3,3%. Na comparação mensal, o núcleo subiu 0,2%, ante expectativa de 0,3%; o PCE cheio avançou 0,3%, em linha com as estimativas.
A reação dos mercados veio porque o dado mexe diretamente com as apostas para os juros nos EUA. Em 16 de setembro, o Fed elevou a taxa em 0,25%, para a faixa entre 3,75% e 4,00%, no primeiro ajuste desde 2023. Entre 18 autoridades, 16 projetaram ao menos mais uma alta antes do fim do ano.
Antes da divulgação, o CME FedWatch indicava 72,5% de chance de alta na reunião de 27 e 28 de outubro. Depois do dado, as projeções caíram para menos de 40% até o momento da reportagem. Juros menores tendem a aliviar a pressão sobre ativos como BTC e ouro, já que reduzem a atratividade de aplicações ligadas aos títulos do Tesouro americano. O ouro, em especial, não paga juros.
Para quem acompanha cripto no Brasil, o movimento mostra como dados dos EUA ainda pesam sobre o preço do Bitcoin em reais: mesmo sem notícia local, juros americanos, dólar e apetite por risco podem mexer com as cotações nas corretoras.
O cenário, porém, não ficou totalmente favorável a uma pausa do Fed. O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anual de 2,2% no segundo trimestre, acima da projeção de . O consumo ajustado pela inflação avançou em agosto, maior alta mensal desde março de . O relatório de empregos de setembro, previsto para sexta-feira, será o último dado relevante antes da próxima reunião do banco central americano.



