O ouro e a prata perderam quase US$ 700 bilhões (aprox. R$ 4,1 tri) em valor de mercado em um único dia, enquanto o Bitcoin (BTC) quase não saiu da faixa de US$ 64 mil (aprox. R$ 371 mil). O contraste chamou atenção porque a ameaça do Irã de fechar o estreito de Bab el-Mandeb costumaria reforçar a procura por ativos de proteção.
O que aconteceu: o ouro caiu 1,7% e apagou cerca de US$ 485 bilhões (aprox. R$ 2,8 tri). A prata recuou 3%, com perda adicional de cerca de US$ 100 bilhões (aprox. R$ 580 bi). Segundo Garrett, afiliado da Binance, o episódio mostra que até ativos vistos como porto seguro podem sofrer quedas bruscas quando a liquidez seca.
A pressão sobre os metais veio junto com a alta do dólar e com apostas maiores de que o Federal Reserve pode voltar a elevar os juros. Em junho, o banco central dos EUA, agora sob comando de Kevin Warsh, manteve a taxa entre 3,50% e 3,75%, mas a ata apontou divisão interna sobre os próximos passos. Nesse ambiente, parte do dinheiro migrou para o dólar e para títulos de curto prazo do Tesouro dos EUA, que pagam rendimento, ao contrário de ouro e prata.
Em números: o ETF de ouro SPDR Gold Shares (GLD) acumulou saídas de US$ 14,4 bilhões (aprox. R$ 83,5 bi) desde 1º de março. O valor é 50% maior que os US$ 9,6 bilhões (aprox. R$ 55,7 bi) retirados de todos os ETFs de Bitcoin à vista desde o pico de outubro. Em julho, porém, as saídas do GLD desaceleraram para US$ 46 milhões (aprox. R$ 267 mi).
Para o leitor brasileiro, o movimento reforça que nem ouro nem cripto funcionam como proteção automática em momentos de tensão global; juros nos EUA, dólar forte e fluxo de ETFs continuam pesando também sobre os preços vistos por aqui.




