A rejeição do Clarity Act pelo Senado dos Estados Unidos não impediu a alta das criptomoedas. Para Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, o mercado ficou em uma posição melhor sem a lei do que ficaria com um texto enfraquecido por concessões políticas.
Segundo a gestora, bancos pressionaram senadores para impedir que stablecoins (criptomoedas projetadas para manter valor estável) oferecessem rendimentos aos clientes. O texto previa proibição ampla e multas de até US$ 5 milhões (aprox. R$ 29 milhões) por infração. Com a rejeição, o Genius Act, aprovado em 2025, continua valendo: ele impede que as emissoras paguem esse tipo de retorno, mas não estabelece a mesma restrição para corretoras.
A Bitwise também aponta benefícios para corretoras americanas e plataformas de tokenização (serviços que transformam ativos em tokens). O Clarity Act criaria uma licença nacional para negociação à vista, enquanto as autorizações atuais são estaduais. Já a previsão de um estudo da SEC sobre títulos tokenizados foi substituída, após a derrota do projeto, por uma autorização temporária para testes. As ações da Securitize, identificadas pelo ticker SECZ, subiram 113,4% na sequência.
O Bitcoin avançou 8% e o Ethereum, 7%. Entre os tokens com desempenho superior, a Bitwise cita Hyperliquid (+15%), NEAR (+104%), Uniswap (+49%), Lighter (+10%) e Pump (+19%). Esses projetos usam parte da receita do protocolo para recomprar tokens, uma prática que, segundo uma seção de perguntas e respostas da SEC, não transforma automaticamente o ativo em valor mobiliário quando a rede já está funcionando. A gestora ressalva que uma mudança na presidência dos EUA pode alterar o comando da SEC e da CFTC e voltar a pressionar o setor após 2029.



