A Bitwise, gestora de ativos cripto dos Estados Unidos, avalia que o avanço das tensões geopolíticas globais, com destaque para o conflito envolvendo o Irã, pode ampliar de forma estrutural a demanda por Bitcoin (BTC). Na visão do CIO Matt Hougan, em cenários de estresse severo, investidores tendem a buscar ativos fora do alcance de governos e bancos centrais, e o Bitcoin passa a disputar esse papel com instrumentos tradicionais de proteção.

Segundo a análise, o BTC combina características que sustentam essa tese: oferta máxima de 21 milhões de unidades, ausência de emissor soberano e negociação global ininterrupta. Hougan afirma que, durante o episódio recente ligado ao Irã, o Bitcoin superou o S&P 500 e o ouro no período observado, o que a Bitwise interpreta como sinal de que o mercado já começa a tratar o ativo não apenas como aposta especulativa, mas também como proteção em momentos de risco geopolítico.

Projeção da gestora

A Bitwise estima que o mercado global de reserva de valor, hoje em torno de US$ 40 trilhões, pode chegar a US$ 121 trilhões em dez anos. Nesse cenário, o Bitcoin precisaria capturar 17% desse total para alcançar US$ 1 milhão por unidade, ante uma participação atual inferior a 4%.

  • A capitalização implícita ficaria entre US$ 20 trilhões e US$ 21 trilhões
  • O cálculo considera o limite máximo de 21 milhões de BTC
  • Na conversão citada pela gestora, US$ 1 milhão equivale a cerca de R$ 5,8 milhões na cotação atual

A análise também destaca que, desde a aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos em janeiro de 2024, o fluxo institucional passou a ser um dos principais motores de demanda pelo ativo. A Bitwise cita ainda um movimento de amadurecimento do mercado, com queda da volatilidade anualizada do Bitcoin em comparação com ciclos anteriores, embora reconheça que o ativo ainda está longe do perfil de uma reserva de valor totalmente madura.

Para o leitor brasileiro, a tese reforça como eventos externos podem mexer com o preço do BTC em reais, já que a cotação local também é impactada pela variação do dólar frente ao real.