Blockchain e tokenização (a representação digital de ativos em uma rede blockchain) começam a deixar a fase de experimentação no Brasil e avançam para aplicações integradas ao sistema financeiro. A avaliação foi apresentada por executivos do Cainvest Group em dois painéis da Febraban Tech 2026.

Charles Aboulafia, CEO do grupo, afirmou que a empresa entrou no mercado ao identificar custos menores, maior velocidade e ganhos em prevenção à lavagem de dinheiro em comparação com transferências da infraestrutura financeira tradicional. O Cainvest passou a atuar na provisão de liquidez, isto é, na formação de preços e na existência de compradores e vendedores para facilitar as negociações.

Na visão de Aboulafia, a primeira etapa foi consolidar a intermediação. A próxima depende de avanços regulatórios e da criação de produtos financeiros sobre blockchain. Como exemplo, ele citou um piloto com um Bond da Pemex, petrolífera estatal mexicana, estruturado para avaliar o acesso de investidores brasileiros a um ativo internacional por meio de uma corretora nacional.

Para o leitor no Brasil, a tokenização só ganha escala quando houver regras claras, liquidez e integração com instituições financeiras locais.

Em outro painel, Guilherme Aliperti, CBO do Cainvest Group, afirmou que a passagem de pilotos para operações reais exige governança, segurança, conformidade e interoperabilidade (a capacidade de diferentes sistemas funcionarem juntos). Segundo ele, a tecnologia, sozinha, não resolve o problema: é preciso haver agentes regulados capazes de conectar o mercado tradicional à Web3, a próxima camada de serviços e aplicações construídas sobre redes descentralizadas.