Os contratos futuros do cobre atingiram US$ 6,95 (aprox. R$ 36,80) por libra em 22 de setembro e encerraram o pregão em US$ 6,92 (aprox. R$ 36,70), ambos recordes históricos. A alta ganhou força depois que Michael Burry apontou uma produtora de cobre como alternativa às ações ligadas à inteligência artificial (IA).
O cobre acumula valorização próxima de 20% em 2026 e avanço superior a 46% em 12 meses. No mesmo período, a prata subiu 49,2% e o ouro avançou 15,47%; no acumulado do ano, porém, o ouro ganhou 0,02%, enquanto a prata caiu 8,5%.
A pressão sobre a oferta aparece nos estoques. As reservas de cátodos de cobre em Xangai recuaram para 43.900 toneladas, o menor nível desde 2023. Na London Metal Exchange (LME), os cancelamentos de warrants, que indicam metais programados para retirada dos armazéns, chegaram a 122.150 toneladas, ou 48% do metal disponível, deixando 133.725 toneladas em estoque.
Burry citou a Ero Copper, mineradora de cobre e ouro com foco no Brasil, e dados de Torsten Slok, economista-chefe da Apollo. Grandes descobertas de cobre, com depósitos de pelo menos 500 mil toneladas, caíram de mais de dez por ano para uma ou duas. Nenhuma foi identificada em 2025. Como uma nova mina costuma levar cerca de 18 anos para entrar em operação, a oferta pode chegar tarde para uma demanda de data centers que cresce em dois ou três anos.
Para o leitor brasileiro, a tese de Burry envolve uma mineradora com foco no Brasil, mas o preço do cobre continua sujeito ao mercado global, às compras chinesas e à decisão dos Estados Unidos sobre tarifas.
A S&P Global projeta que a demanda mundial aumente 50%, para 42 milhões de toneladas até 2040, com possível déficit de 10 milhões de toneladas sem mudanças relevantes no setor. No curto prazo, a leitura é menos definida: a estimava superávit global de em 2026 e considerava o mercado equilibrado em agosto. A decisão da Casa Branca sobre tarifas ainda pode alterar o destino dos estoques norte-americanos.



