A defesa de Ronison, um dos presos na Operação Decrypted, afirmou ao STJ que a senha mestra da carteira digital ligada a uma movimentação de 44 BTC havia sido compartilhada com outras pessoas. Com isso, os advogados sustentam que não há como atribuir ao suspeito, de forma exclusiva, a autoria da transferência.

O que aconteceu: a prisão preventiva foi mantida após as autoridades apontarem uma movimentação considerada suspeita em agosto de 2025, feita depois de uma ordem judicial que proibia o acesso a plataformas de negociação de criptoativos. A defesa rebateu esse ponto e disse que a carteira Exodus é uma solução de autocustódia (quando a própria pessoa guarda os criptoativos, sem corretora), e por isso não se enquadraria na restrição.

Argumento da defesa: os advogados também alegam que Ronison não teria recebido comunicação clara sobre o alcance das medidas impostas pela Justiça. No recurso, a equipe jurídica ainda questiona a falta de acesso integral às provas digitais e aponta possível quebra na cadeia de custódia dos aparelhos e códigos analisados na investigação.

O ministro Herman Benjamin negou o pedido preliminar de urgência e determinou o envio do caso ao Ministério Público Federal (MPF) para análise mais detalhada.

Em números: a Operação Decrypted apura o desvio de US$ 2,6 milhões (aprox. R$ 15,1 milhões) de uma corretora dos Estados Unidos. Segundo a investigação, o dinheiro foi rastreado em contas controladas por operadores no Maranhão. Em março de 2026, a Polícia Federal e a Homeland Security Investigations realizaram a segunda fase da ofensiva contra o grupo.

Para o leitor brasileiro, o caso mostra como carteiras de autocustódia e corretoras entram em discussões jurídicas diferentes quando a Justiça impõe restrições sobre operações com criptoativos.