Um desafio de programação de uma semana cortou de US$ 320 (aprox. R$ 1.760) para cerca de US$ 66 (aprox. R$ 363) o custo estimado de processamento de uma transação de Bitcoin resistente a computadores quânticos. A redução foi de 79%, impulsionada por propostas de desenvolvedores que usaram ferramentas de IA para otimizar o código.
A iniciativa, chamada Quantum-Safe Bitcoin (QSB), usa criptografia baseada em hash (um tipo de assinatura digital pensada para resistir melhor a computadores quânticos) para movimentar Bitcoin elegível dentro das regras atuais da rede. Isso significa que, no experimento, não seria necessário mudar o protocolo nem fazer um soft fork, que é uma atualização compatível com versões anteriores do Bitcoin.
A StarkWare minerou a primeira transação QSB na rede principal do Bitcoin em 26 de agosto, usando o serviço Slipstream da MARA. A operação consumiu cerca de 3.100 horas de GPU e custou aproximadamente US$ 320 (aprox. R$ 1.760) só em processamento. Em 16 de setembro, a empresa lançou um desafio de otimização com apoio da Yukon Research e da Eigen Labs, que ofereceram mais de US$ 20 mil (aprox. R$ 110 mil) em prêmios.
Foram aceitas 62 propostas. Elas atacaram dois gargalos: o pinning (busca por um compromisso de transação válido) e a seleção de subconjuntos (tentativa de encontrar a combinação correta de componentes). Em testes com uma RTX 4090, a checagem de candidatos no pinning saiu de cerca de 146 milhões por segundo para mais de 880 milhões, quase 6 vezes mais rápida no mesmo hardware.
Para quem guarda BTC no Brasil, isso não muda a rotina hoje: a ameaça quântica ainda é teórica, e o experimento não elimina cuidados básicos como custódia segura, chaves bem protegidas e atenção a golpes.



