O Bitcoin (BTC) gira em torno de US$ 62.600 (aprox. R$ 350 mil), cerca de 50% abaixo do topo histórico de US$ 126.080 (aprox. R$ 705 mil) registrado em outubro de 2025. Nesse cenário, dois indicadores on-chain — métricas extraídas da própria blockchain — voltaram ao radar por terem marcado fundos importantes em ciclos anteriores.

O que aconteceu: o primeiro é o Puell Multiple, que compara a receita diária dos mineradores com a média dos últimos 365 dias. Historicamente, leituras abaixo de 0,5 apareceram em momentos de capitulação dos mineradores, quando a operação fica mais apertada e parte da pressão vendedora tende a se esgotar. Dados da Glassnode mostram esse padrão em 2012, 2015, no fim de 2018, em meados de 2020 e no fim de 2022.

Hoje, o indicador segue um pouco acima de 0,5. Ele se aproxima da faixa associada a fundos, mas ainda não entrou nela de forma clara. O analista PositiveCrypto afirmou no X que a receita diária dos mineradores está bem abaixo da média de 365 dias, uma configuração que, segundo ele, costuma aparecer nas fases finais de mercados de baixa e pressiona as margens do setor.

Em números: o segundo sinal vem do fornecimento dos investidores de longo prazo, grupo formado por moedas que estão paradas há mais de 155 dias. Segundo a Galaxy Research, esse volume chegou ao recorde de 16,75 milhões de BTC em 11 de julho, o equivalente a quase 84% da oferta circulante. Para a leitura on-chain, isso sugere acúmulo, e não distribuição, mesmo com o preço bem abaixo do pico.

Se o comportamento histórico se repetir, o fornecimento desses investidores pode continuar subindo enquanto o Puell Multiple recua. Modelos on-chain citados na análise indicam um possível fundo perto de US$ 47 mil (aprox. R$ 263 mil), cerca de abaixo do nível atual. Ao mesmo tempo, a menor volatilidade do em ciclos mais recentes pode fazer com que um toque breve na região de já seja suficiente desta vez.