El Salvador passou a apoiar o Sivar, aplicativo que permite enviar e armazenar dólares digitais por meio de stablecoins, em vez de usar Bitcoin (BTC). O país adotou o BTC como moeda de curso legal há cinco anos, mas a criptomoeda não ganhou espaço nas transações do dia a dia.

Desenvolvido pela startup Modveon, de Palo Alto, o aplicativo processa pagamentos na Base, rede blockchain criada pela Coinbase. O serviço exige documento oficial para verificar o usuário e organiza participantes por endereço residencial. O contrato com o governo tem duração de cinco anos e valor multimilionário não divulgado.

A demanda potencial é grande: El Salvador recebeu quase US$ 10 bilhões (aprox. R$ 58 bilhões) em remessas em 2025, e cerca de 92% desse dinheiro veio dos Estados Unidos. O Sivar cobra uma tarifa fixa de US$ 2 (aprox. R$ 11,60) por transferência, mas um estudo do Banco da Itália apontou que remessas com stablecoins podem ter taxas de até 9%, sem garantia de economia em relação aos bancos.

Segundo pesquisa da Universidade da América Central, aproximadamente 92% dos salvadorenhos disseram não ter usado Bitcoin em 2024. O FMI também informou que apenas 1,75% das remessas passaram por carteiras de criptomoedas. Mesmo assim, Nana Murugesan, CEO da Modveon, disse que o país continua adotando o Bitcoin para o tesouro e como reserva de valor; as reservas recentes, segundo o FMI, foram impulsionadas por doações, e não por recursos públicos.

Para brasileiros, o caso mostra a diferença entre stablecoins usadas para pagamentos e Bitcoin mantido como ativo de reserva. Em ambos os casos, continuam existindo riscos de volatilidade, custos de transação, custódia e falhas nas plataformas.