Um estudo do Federal Reserve Bank of Cleveland concluiu que investidores de criptomoedas não se diferenciam apenas por renda, idade ou tolerância a risco. O trabalho indica que as crenças sobre retornos futuros dos ativos digitais explicam mais quem compra cripto do que uma série de características demográficas.

O artigo, assinado por Michael Weber, Bernardo Candia, Olivier Coibion e Yuriy Gorodnichenko, usou pesquisas repetidas com até 25.000 domicílios dos Estados Unidos por rodada. Os autores encontraram visões muito diferentes entre os investidores sobre retorno e risco no mercado de cripto.

Segundo o estudo, informações sobre ganhos passados do Bitcoin podem elevar tanto a alocação desejada quanto as compras efetivas de cripto. Na prática, isso ajuda a explicar por que períodos de alta costumam atrair novos compradores: a valorização reforça expectativas otimistas e alimenta um ciclo em que mais gente entra no mercado.

Para o leitor no Brasil, a conclusão serve como alerta: em cripto, movimentos recentes de preço podem influenciar decisões de compra mais do que os fundamentos do ativo.

Os pesquisadores afirmam que esse comportamento ajuda a entender por que as criptomoedas se movem de forma diferente dos ativos financeiros tradicionais. Também oferece uma pista para a volatilidade persistente do setor, já que a entrada de novos investidores pode ser impulsionada pela expectativa de ganhos futuros depois de altas recentes.