Um estudo do Federal Reserve de Nova York aponta que o uso de stablecoins cresce em momentos de crise cambial. A análise passou por nove episódios entre o início de 2021 e o fim de 2025, em países como Argentina, Rússia, Nigéria e Irã.

Segundo os autores, a pressão por fuga de capitais aumenta a adoção dessas moedas digitais pareadas a ativos estáveis, em geral o dólar. O trabalho relaciona esse movimento ao trilema de Mundell-Fleming, conceito da economia que diz que um país não consegue sustentar ao mesmo tempo câmbio fixo, livre circulação de capitais e política monetária independente.

Para mapear os donos das carteiras e sua localização, os analistas combinaram endereços ENS, o sistema de nomes da rede Ethereum, com outros dados. Nas conclusões, o estudo afirma que as evidências empíricas validam a premissa de que a pressão por saída de recursos amplia o uso de stablecoins e reduz a capacidade do governo de preservar uma política monetária autônoma em regimes de câmbio fixo.

O estudo também comparou a adoção de stablecoins com transações de wBTC, versão tokenizada do Bitcoin em outras redes. Segundo os pesquisadores, as carteiras analisadas não parecem aumentar posição em outras criptomoedas no meio da crise, concentrando o movimento nas stablecoins.

Hoje, cerca de 99% das stablecoins são denominadas em dólar, o que pode favorecer os Estados Unidos nessa migração de capital. Ainda assim, o setor soma US$ 312 bilhões (aprox. R$ 1,81 trilhão), valor que o texto trata como pequeno diante da oferta monetária da moeda americana.

Para quem está no Brasil, o ponto central é simples: stablecoin pode funcionar como atalho digital para o dólar em momentos de estresse cambial, tema que entra no radar de reguladores e do mercado local.