Os ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos registraram entrada líquida de US$ 221,72 milhões em 2 de julho, segundo dados da SoSoValue. Foi o primeiro dia positivo para esses produtos desde 12 de junho, interrompendo uma sequência de 10 sessões de saídas. Mesmo com a recuperação, o patrimônio líquido total do segmento ficou em US$ 74,37 bilhões, abaixo dos mais de US$ 100 bilhões vistos no início de maio.

Nas últimas semanas, o mercado vinha absorvendo um ciclo forte de resgates institucionais. De acordo com a Glassnode, o Bitcoin entrou em uma fase de consolidação, com redução da pressão vendedora no mercado à vista após esse período mais intenso. A empresa afirma que o ativo mostra sinais de estabilização estrutural, em uma transição de uma distribuição agressiva para um estado mais equilibrado.

Sinais mistos no mercado

O comportamento recente do preço reforça esse cenário de transição. Na segunda-feira, o BTC caiu para abaixo de US$ 62 mil após a divulgação de uma venda pela Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin. Depois disso, recuperou mais de US$ 2.300 em cerca de três horas e voltou a ser negociado perto de US$ 63.643 no momento citado pela reportagem. Desde a mínima de 25 de junho, próxima de US$ 58.200, o ativo vinha retomando terreno em direção aos US$ 62 mil.

A Glassnode também apontou melhora em alguns indicadores:

  • aumento do interesse em aberto nos contratos futuros;
  • pagamentos de financiamento do lado comprado acima da média histórica;
  • redução na demanda por proteção contra queda nas opções;
  • avanço no número de endereços ativos e nos volumes de transferência.

Para o investidor brasileiro, o movimento dos ETFs nos EUA costuma influenciar o apetite global por BTC, inclusive em corretoras locais e produtos expostos ao ativo em reais.

Liquidez de stablecoins segue no radar

Apesar do alívio nos ETFs, a CryptoQuant destacou uma desaceleração na liquidez de stablecoins. Segundo a empresa, o valor de mercado de USDC caiu 3,6% e o de USDT recuou 2% nos últimos 30 dias, em uma fraqueza que já vinha se formando desde novembro de 2025. Como essas moedas costumam servir de base para novas alocações em cripto, a perda de liquidez pode limitar a continuidade da recuperação.