A Europol recomenda que desenvolvedores de criptomoedas comecem a planejar a proteção contra possíveis ataques de computadores quânticos. A agência avalia que a ameaça ainda deve levar anos para se concretizar, mas alerta que uma migração criptográfica exige coordenação e pode ser demorada.
No caso do Bitcoin, a transição dependeria de consenso de 90% dos mineradores, segundo o documento. A Europol também cita estimativas de que transações resistentes à computação quântica poderiam ocupar de 10 a 120 vezes mais espaço do que as atuais.
Um estudo mencionado pela agência calcula que a migração dos UTXOs — unidades que representam valores ainda não gastos na rede Bitcoin — levaria pelo menos 76 dias se não houvesse outras transações nos blocos. Como essa condição não é viável, o processo poderia ser distribuído por 300 dias, reservando 25% de cada bloco para a mudança.
Para quem usa Bitcoin no Brasil, a avaliação aponta um desafio de coordenação global: não há uma autoridade central que possa impor atualizações ou substituir chaves comprometidas.
A Europol conclui que a computação quântica não deve levar as criptomoedas ao colapso, mas defende que os preparativos comecem antes de os computadores terem capacidade para quebrar os sistemas criptográficos usados pelas redes.



