A BitMEX, uma das pioneiras em derivativos de criptomoedas, encerrou as operações em meio a um mercado cada vez mais concentrado. Para analistas, o caso mostra como corretoras centralizadas de médio porte vêm sendo pressionadas pelo aumento dos custos regulatórios e pela concentração de liquidez nas maiores plataformas.

O que aconteceu: a corretora ajudou a popularizar os swaps perpétuos (contratos futuros sem vencimento), hoje uma peça central do mercado de derivativos de ativos digitais. Mesmo com esse papel, o volume diário de futuros de Bitcoin (BTC) da plataforma começou a cair por volta de maio de 2021 e não voltou ao pico registrado em 2020.

Em números: no auge de 2020, a BitMEX chegou a registrar entre US$ 1 bilhão (aprox. R$ 5,8 bi) e US$ 5 bilhões (aprox. R$ 29 bi) por dia em futuros de BTC, segundo dados da CryptoQuant.

Roshan Dharia, consultor de reestruturação, avalia que o fechamento reflete uma pressão estrutural sobre corretoras centralizadas de médio porte. Na prática, a liquidez vem se concentrando entre os maiores players do setor, enquanto as exigências de conformidade regulatória seguem mais caras.

Para quem acompanha o mercado no Brasil, o episódio indica um ambiente mais duro para plataformas menores e uma preferência crescente dos investidores por corretoras licenciadas.