O FMI afirmou nesta quinta-feira (3) que El Salvador não fez compras de Bitcoin com dinheiro público. Segundo o organismo, o acúmulo da criptomoeda desde a primeira revisão do programa com o país veio de doações privadas, e a maior parte da propriedade e do controle operacional foi transferida para um operador privado.

A declaração aparece em uma nota sobre um acordo de US$ 140 milhões (aprox. R$ 812 milhões) e cita melhora da atividade econômica, foco em estabilidade macroeconômica e redução da dívida pública. No trecho sobre o Bitcoin, o fundo também diz que houve avanço na redução do uso da carteira Chivo e que não são esperadas novas compras além das já documentadas.

Os dados mostrados no site oficial bitcoin.gob.sv, porém, apontam crescimento contínuo das reservas. As carteiras ligadas ao país exibem cerca de 7.764 BTC, avaliados em cerca de US$ 619 milhões (aprox. R$ 3,59 bi) com o ativo na faixa de US$ 79.800 (aprox. R$ 463 mil). O painel também sugere compras de 1 BTC por dia ao longo dos últimos anos.

Para quem acompanha cripto no Brasil, o caso mostra como divulgação oficial, custódia (guarda dos ativos) e origem dos recursos podem virar ponto central de transparência quando governos mantêm reservas em BTC.

Nas redes sociais, o presidente Nayib Bukele compartilhou a publicação do FMI, mas destacou apenas o trecho sobre o crescimento econômico do país. A última vez que ele mencionou a palavra Bitcoin no X, segundo o relato, foi em 7 de setembro de 2025, quando disse estar comprando 21 BTC para marcar quatro anos da adoção da criptomoeda no país.

O debate acontece em meio a sinais de perda de tração do projeto no país. Relatos recentes apontaram queda no uso do Bitcoin na chamada Bitcoin Beach, e El Salvador já havia retirado, em janeiro de 2025, o status da criptomoeda como moeda de curso forçado.