A Geo lançou o Geo Debates em 22 de setembro, com uma proposta simples: colocar duas pessoas que discordam diante da câmera para discutir a mesma afirmação em vídeos verticais curtos. O público vota em quem defendeu melhor seu ponto, enquanto as declarações ficam disponíveis para consulta e contestação.

A plataforma escolhe participantes que já assumiram posições opostas. Cada lado recebe um cronômetro e tem o microfone desligado durante a fala do outro, o que impede interrupções. Depois, as gravações são reunidas em uma tela dividida, com legendas e indicação sobre quais trechos são fatos ou opiniões. O Geo não verifica se as afirmações são verdadeiras.

A aposta acompanha o modo como as pessoas consomem informação: 77% dos entrevistados pelo Instituto Reuters disseram assistir a vídeos de notícias on-line toda semana, enquanto apenas 22% confiam nas notícias encontradas em redes sociais. O Barômetro da Confiança Edelman 2026, que ouviu quase 34 mil pessoas em 28 países, apontou que sete em cada dez desconfiam de quem tem valores ou fontes de informação diferentes dos seus.

O projeto foi criado por Yaniv Tal, cofundador do The Graph, e começa com temas como cripto, mercados, inteligência artificial, política e cultura, incluindo a comparação entre o Bitcoin (BTC) e o ouro como reserva de valor. Cada afirmação pode ser registrada em um grafo de conhecimento, uma estrutura que conecta declarações, fontes e discussões. A Geo mantém referências visíveis e permite que usuários proponham contexto, mas não informou se os debates serão registrados on-chain, ou seja, diretamente em uma blockchain.

A votação popular também traz uma limitação: um participante confiante pode parecer mais convincente mesmo com argumentos mais fracos. Um estudo de 2024 com 582 eleitores britânicos indicou que conversas entre grupos opostos aumentaram a disposição para dialogar, mas não mudaram opiniões quando não havia pontos de concordância. Para o público brasileiro, a novidade representa mais uma forma de acompanhar debates sobre cripto e política, mas a popularidade de um vídeo não substitui a checagem das fontes.