O Bitcoin era negociado perto de US$ 62.904 no momento da reportagem, depois de devolver parte dos ganhos acumulados desde o piso de US$ 57.700. Segundo a Glassnode, o mercado mostra sinais típicos de uma fase avançada de baixa, mas ainda não entrou numa virada confirmada.
A análise destaca que o BTC segue abaixo do True Market Mean, em US$ 76.600, e do Short-Term Holder Cost Basis, em US$ 72.200, desde fevereiro de 2026. Na prática, isso significa que o preço está há cinco meses abaixo do custo médio de compradores recentes e também do mercado ativo em geral. Para a Glassnode, esse tipo de desconto prolongado costuma aparecer perto de fundos cíclicos. Ao mesmo tempo, a pressão vendedora continua forte: a participação das perdas realizadas por investidores de longo prazo subiu de 15% em fevereiro para 43%, e a capitulação desse grupo chegou recentemente a quase US$ 280 milhões por dia, o maior nível desde dezembro de 2022.
O que ainda impede uma recuperação mais firme
A demanda institucional continua fraca. Os resgates nos ETFs spot de Bitcoin caíram para US$ 88,9 milhões por dia em relação ao pico de junho, mas os fluxos seguem no negativo. No mercado de derivativos (contratos atrelados ao preço do ativo), o índice put/call recuou para 0,56, o menor nível de 2026, embora o skew e a volatilidade ainda apontem risco de novas quedas. Na leitura da Glassnode, o mercado precisa de três sinais: menos capitulação, estabilização dos fluxos institucionais e, de preferência, retomada consistente do True Market Mean.
A CryptoQuant vê algum espaço para melhora em julho. Segundo a empresa, o Bitcoin subiu cerca de 20% em julho de 2018 e 17% em julho de 2022, mesmo em mercados de baixa. Os dados mais recentes também mostram recuperação da demanda total, depois de uma contração de cerca de 650 mil BTC no início de junho para um nível próximo da neutralidade. O Índice Coinbase Premium, usado para medir o apetite de compradores nos Estados Unidos, subiu para -0,062 quando o BTC reagiu a partir de US$ 57 mil. Ainda assim, o Bull Score Index está em 20, bem abaixo do nível 60 que a CryptoQuant considera necessário para sustentar uma alta.
Para o leitor brasileiro, isso reforça que o BTC segue sensível ao cenário global e à entrada de capital institucional. Mesmo quando os sinais de fundo aparecem, a volatilidade continua alta.




