As perdas provocadas por ataques a criptomoedas chegaram a US$ 766,49 milhões (aprox. R$ 4,45 bilhões) em setembro, segundo a PeckShield. O valor representa uma alta de 462% sobre os US$ 136,3 milhões (aprox. R$ 790,5 milhões) registrados em agosto e supera o recorde anterior de 2026, de US$ 646,89 milhões (aprox. R$ 3,75 bilhões) em abril.

Dois casos concentraram a maior parte do prejuízo. A Bitget perdeu aproximadamente US$ 387 milhões (aprox. R$ 2,24 bilhões), enquanto a Liquid Network registrou perdas de cerca de US$ 320 milhões (aprox. R$ 1,86 bilhão). Parte dos fundos da Liquid foi devolvida por pessoas que afirmaram atuar como white hats, expressão usada para pesquisadores ou invasores que alegam agir para corrigir falhas.

A PeckShield contabilizou 55 grandes ataques em setembro, acima dos 50 casos registrados em agosto. Bitget e Liquid Network somaram US$ 707 milhões (aprox. R$ 4,10 bilhões), o equivalente a cerca de 92% do total mensal; os outros 53 incidentes geraram perdas combinadas de aproximadamente US$ 59 milhões (aprox. R$ 342 milhões).

A Liquid Network já recebeu de volta 3.400 BTC. Um bot de MEV, sistema automatizado que busca ganhos com a ordem das transações, também movimentou US$ 7,81 milhões (aprox. R$ 45,3 milhões) durante a recuperação. O Payment Processor V2 recuperou US$ 3,4 milhões (aprox. R$ 19,7 milhões) dos US$ 6,6 milhões (aprox. R$ 38,3 milhões) perdidos; o Duelbits perdeu US$ 7 milhões (aprox. R$ 40,6 milhões) e o caso da Nostra envolveu US$ 3,5 milhões (aprox. R$ 20,3 milhões).

Para quem usa corretoras ou carteiras digitais no Brasil, os casos reforçam o risco de manter fundos em plataformas conectadas à internet: ataques podem causar perdas mesmo quando a falha está em um fornecedor terceirizado.