Quase dois anos após Donald Trump retornar à presidência dos EUA, a proposta de criar uma Reserva Estratégica de Bitcoin continua sem definição. De acordo com a Bloomberg, dois fatores centrais explicam a demora: uma disputa dentro do próprio governo sobre quem comandará a iniciativa e questões jurídicas ligadas à custódia e à retenção desses ativos.

Hoje, o governo americano mantém mais de 328 mil bitcoins em suas carteiras, o equivalente a US$ 20,7 bilhões, segundo dados on-chain citados na reportagem. Esses ativos foram obtidos em apreensões judiciais, embora parte deles ainda possa ser devolvida a vítimas envolvidas nos processos.

Além da ordem assinada por Trump para impedir a venda de bitcoins confiscados, a senadora Cynthia Lummis apresentou um projeto de lei para que os EUA comprem 1 milhão de bitcoins. A proposta busca posicionar o país como referência no setor, em uma lógica semelhante à das reservas em ouro.

Onde está o impasse

A indefinição passa por uma disputa entre o Departamento do Tesouro e o Departamento do Comércio, ambos apontados como possíveis responsáveis pela estrutura da reserva. Em paralelo, permanece a dúvida sobre se o Tesouro teria autoridade legal não apenas para custodiar esses BTC, mas também para mantê-los por prazo indefinido nas carteiras do governo.

Liz Huston, porta-voz da Casa Branca, afirmou na segunda-feira (6) que o governo ainda avalia qual seria o melhor formato para uma Reserva Estratégica de Bitcoin e para um estoque de ativos digitais dos EUA.

Para o leitor brasileiro, o caso mostra que até grandes governos ainda enfrentam barreiras jurídicas e institucionais para tratar Bitcoin como ativo estratégico de longo prazo.

A discussão ganhou força porque parte do mercado vê o Bitcoin como uma versão digital do ouro, devido à sua escassez. Nesse modelo, os EUA poderiam tentar adaptar à criptomoeda uma estrutura semelhante à já usada com o metal, que pertence ao Tesouro e depende do Congresso para autorizar vendas em larga escala.