O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos alcançou 5,27%, o maior nível desde 2007, enquanto o Brent foi negociado acima de US$ 105 (aprox. R$ 609) por barril. A combinação dividiu os gestores do Comitê de Investimentos da CNBC: Steve Weiss aumentou suas reservas em caixa, mas Jim Lebenthal manteve a carteira totalmente investida.

Rendimentos maiores tornam os títulos mais competitivos em relação às ações e diminuem o preço que investidores aceitam pagar pelos lucros futuros das empresas. O financiamento mais caro também pressiona setores como imobiliário, serviços públicos, consumo discricionário e financeiro. Já a energia cara pode prolongar a inflação e levar o Federal Reserve, o banco central americano, a manter os juros elevados por mais tempo.

Weiss, fundador e sócio gestor da Short Hills Capital Partners, vendeu sua participação na Cisco (CSCO) e reduziu a posição em Meta Platforms (META). Ele mantém cerca de 25% da carteira em caixa e admite aumentar essa parcela. Na sua avaliação, o rendimento do título de 10 anos tende a encontrar um piso em 5% e pode chegar a 6%. Para voltar a destinar recursos à bolsa, ele espera preços que considere oportunidades claras.

Lebenthal, da Cerity Partners, aposta nos resultados das empresas como sustentação para o mercado. Segundo ele, o múltiplo de lucro projetado, que compara o preço das ações com o lucro esperado, recuou de cerca de 22 vezes para 18,5 vezes neste ano. O gestor considera que o ritmo de crescimento dos lucros justifica esse patamar.

O petróleo permanece no centro dessa disputa. As negociações para reabrir o Estreito de Ormuz terminaram sem acordo, mas uma queda do barril poderia aliviar a pressão sobre as ações. David Spika, estrategista da Turtle Creek, projeta avanço de 5% a 10% para o mercado acionário até o fim do ano caso o petróleo continue perdendo força. A temporada de balanços mostrará se os lucros conseguem compensar a concorrência dos títulos americanos com rendimentos acima de 5%.