Liu Zhou, fundador da MyTrade, foi condenado pela Justiça dos Estados Unidos por fraude em negociações com criptomoedas. O veredito saiu na quinta-feira (6), em corte federal de Boston, e a juíza Angel Kelley fixou multa de US$ 10 mil (aprox. R$ 58 mil).

Segundo os promotores, Zhou organizou um esquema para manipular os preços de vários projetos do setor. A plataforma oferecia a clientes serviços para inflar artificialmente o volume de negociações por meio de programas automatizados que faziam compras e vendas sucessivas do mesmo ativo, prática conhecida como negociação simulada (quando operações são executadas sem objetivo econômico real, apenas para criar aparência de demanda).

O que aconteceu: o FBI desmantelou a estrutura após uma operação com agentes disfarçados. Os investigadores criaram uma empresa fictícia chamada NexFundAI e lançaram um token na rede Ethereum para negociação na Uniswap. Nas conversas com os agentes, Zhou detalhou como as ordens eram executadas na mesma fração de segundo para fabricar volume e induzir investidores a acreditar em um interesse orgânico pelos ativos.

Em números: a MyTrade teria manipulado milhares de ordens em cerca de sessenta criptomoedas diferentes, com fluxo artificial de milhões de dólares por dia. Zhou confessou culpa por fraude eletrônica em outubro de 2024.

Por que importa: volume falso distorce indicadores usados por traders e analistas, atrapalha a formação de preços e pode levar investidores a entrar em ativos com base em uma demanda que não existe.

Para o leitor brasileiro, o caso serve de alerta: volume elevado em corretoras e tokens menores nem sempre indica interesse real do mercado, e esse tipo de prática pode causar perdas rápidas para quem entra por impulso.