Um médico aposentado de 74 anos perdeu R$ 3,4 milhões após ser convencido por golpistas, em 2025, a transferir dinheiro durante meses de conversas por mensagens. O rastreamento dos ativos percorreu as redes Bitcoin, Ethereum e TRON, além de plataformas descentralizadas e pontes digitais.
Em decisão proferida na terça-feira (29), a Justiça negou o congelamento solicitado contra Tether e Circle, emissoras de stablecoins (criptomoedas criadas para acompanhar o valor de uma moeda, como o dólar). Segundo a fundamentação, a carteira analisada reunia recursos de vários usuários sem identificação civil, e o bloqueio de um endereço inteiro poderia atingir terceiros sem relação com a fraude.
A ordem foi diferente para a Payward Brasil, empresa ligada à corretora Kraken e responsável pela custódia centralizada (guarda dos ativos dos clientes dentro de uma plataforma). A companhia deverá bloquear os saldos associados ao endereço investigado e entregar, em cinco dias úteis, o cadastro completo dos clientes envolvidos, com nome, CPF, endereço, e-mail, telefone e extrato detalhado das movimentações.
Para vítimas no Brasil, o caso mostra que o rastreamento precisa indicar com precisão se os ativos estão em uma carteira, em uma emissora de stablecoin ou em uma corretora regulada. O advogado Raphael Souza afirmou que essas medidas podem ser solicitadas conjuntamente, mas a rapidez é decisiva porque os valores podem ser transferidos em poucos minutos.



