A Ledger pediu que a CryptoBilis, revendedora do Sudeste Asiático, suspenda vendas e envios de wallets físicas enquanto investiga relatos de perdas de fundos por compradores. Um analista estimou os prejuízos em US$ 86 milhões (aprox. R$ 473 milhões), mas a empresa não confirmou esse número.
O alerta mira clientes que compraram dispositivos da Ledger na CryptoBilis nos últimos 90 dias. Quem ainda não configurou a wallet foi orientado a não iniciar o processo. Quem já configurou deve transferir os ativos para uma nova wallet com uma seed phrase inédita — a sequência de 24 palavras que dá acesso e controle aos criptoativos.
Para quem usa wallet física no Brasil, o caso reforça um ponto simples: comprar fora de canais oficiais pode aumentar o risco de receber um dispositivo adulterado.
A CryptoBilis é uma loja da Malásia fundada em 2020, com atuação também na Indonésia e nas Filipinas. Em publicação no X, a Ledger Support afirmou: “como precaução, e até a conclusão de nossa apuração, solicitamos à CryptoBilis a suspensão de todas as vendas e remessas de dispositivos Ledger”.
A estimativa de US$ 86 milhões (aprox. R$ 473 milhões) vem de Specter, analista que acompanha dados públicos de blockchain. Segundo ele, ativos de centenas de wallets afetadas foram rastreados na Ethereum, na TRON e no Bitcoin. Registros no mempool — a fila de transações ainda não confirmadas do Bitcoin — mostram que três endereços destacados por Specter somavam cerca de 211 BTC e não tinham movimentação até 10h44, horário de Brasília, de sexta-feira.
Dispositivos alterados vendidos fora de canais oficiais já são um risco conhecido no setor. Em abril, um pesquisador encontrou unidades falsas da Ledger em um marketplace chinês que transmitiam e para criminosos. Em agosto, uma falha no firmware — o software interno do aparelho — da , concorrente da , causou perdas de cerca de (aprox. ) a investidores de .



