A Ledger pediu à revendedora CryptoBilis, da Malásia, que interrompa imediatamente as vendas e entregas de seus dispositivos enquanto investiga relatos de perdas de criptoativos entre compradores. A medida é preventiva: a fabricante ainda não confirmou se os equipamentos foram adulterados.

Na sexta-feira, o suporte da Ledger orientou quem comprou na CryptoBilis nos últimos 90 dias a não configurar o aparelho. Para clientes que já utilizaram o dispositivo, a orientação foi transferir os ativos para uma nova carteira, com uma nova frase-semente — o conjunto de 24 palavras que funciona como cópia de segurança para recuperar o acesso aos criptoativos. As carteiras físicas mantêm fora da internet as chaves que permitem movimentar esses ativos.

O pedido de suspensão ocorreu cerca de uma hora após o investigador Specter apontar perdas superiores a US$ 86 milhões (aprox. R$ 430 milhões). Ele afirma ter rastreado recursos de centenas de carteiras de vítimas nas redes Ethereum, TRON e Bitcoin, usando dados públicos dos registros de transações dessas redes. A Ledger não confirmou essa estimativa nem explicou como os fundos foram retirados.

Registros públicos indicam que três endereços de Bitcoin identificados por Specter reuniam cerca de 211 BTC. Até as 10h44, no horário de Brasília, de sexta-feira, esses recursos permaneciam sem movimentação.

O alerta da fabricante se restringe aos compradores recentes da CryptoBilis, que também atua na Indonésia e nas Filipinas. A Ledger informou que divulgará atualizações conforme a investigação avançar; a possível adulteração dos dispositivos antes da entrega aos clientes segue sem confirmação.