A Ledger solicitou à revendedora CryptoBilis, com operações na Malásia, Indonésia e Filipinas, que suspenda as vendas de suas carteiras físicas. A medida veio após relatos de usuários que perderam ativos e de uma estimativa de prejuízos superiores a US$ 86 milhões (aprox. R$ 495 milhões).

A empresa orientou quem comprou um dispositivo na CryptoBilis nos últimos 90 dias a não iniciar a configuração. Clientes que já usaram a carteira foram instruídos a transferir os ativos para um novo equipamento, usando uma nova frase-semente — sequência de 24 palavras que funciona como backup das chaves de acesso.

A estimativa foi divulgada pelo investigador on-chain Specter, que rastreou movimentações associadas a centenas de carteiras nas redes Ethereum, TRON e Bitcoin. Registros públicos indicavam cerca de 211 BTC em três endereços apontados na investigação; até as 10h44 de sexta-feira, no horário de Brasília, os fundos não haviam sido movimentados.

A Ledger ainda não confirmou o total das perdas nem explicou como os ativos teriam sido retirados. A empresa também não esclareceu se os dispositivos foram adulterados antes de chegar aos compradores. Casos de carteiras falsas vendidas fora de canais autorizados já haviam sido identificados, e uma falha de firmware da Coldcard causou prejuízos de cerca de US$ 70 milhões (aprox. R$ 403 milhões) em agosto.

Para compradores no Brasil, o caso reforça o risco de adquirir carteiras físicas fora dos canais autorizados. A investigação ainda não concluiu se os dispositivos da CryptoBilis foram manipulados.