Michael Saylor, fundador da Strategy, afirmou nesta quarta-feira (8) que o Bitcoin não enfrenta um problema de spam, mesmo com o uso da rede para transações não monetárias. Em publicação no X, ele disse que, depois de mais de uma década de discussões sobre espaço em bloco (a capacidade de dados que cabe em cada bloco da rede), o mercado continuou resolvendo a questão por meio das taxas.
Segundo Saylor, as taxas estão em 1 sat/vB, o que permitiria enviar qualquer quantia para qualquer lugar do mundo com processamento imediato por cerca de US$ 0,30. A fala marca um posicionamento mais direto do empresário sobre a gravação de textos, imagens e outros dados na blockchain do Bitcoin, tema que vinha alimentando atritos na comunidade.
A declaração aparece enquanto parte dos usuários tenta aprovar o BIP-110, uma proposta de melhoria que obrigaria mineradores a bloquear transações com dados arbitrários. Também nesta semana, Cobra, dono do Bitcoin.org, disse que a iniciativa pode acabar levando a mais uma divisão da rede, como ocorreu no passado com Bitcoin Cash (BCH) e Bitcoin Satoshi Vision (BSV).
Nos comentários, a reação foi dividida:
- críticos do spam disseram que os nodes (computadores que armazenam e validam a rede) ainda precisam guardar esses dados;
- outros afirmaram que olhar só para a taxa de transação não resolve o debate, a menos que o Bitcoin seja tratado como algo além de dinheiro;
- apoiadores de Saylor disseram que a fala enfraquece o argumento por trás do BIP-110.
Para o leitor brasileiro, essa discussão ajuda a entender como decisões técnicas da rede Bitcoin podem afetar custos, uso e até a direção do projeto no longo prazo.
A opinião de Saylor tem peso no setor porque a Strategy mantém 843.775 bitcoins em caixa, avaliados em US$ 54,5 bilhões na cotação atual.




