Um minerador solo de Bitcoin conseguiu validar o bloco 957.382 na sexta-feira (10) e levou 3,14 BTC em recompensa, quantia avaliada em mais de R$ 1 milhão. Segundo a Public Pool, ele usava apenas uma Bitaxe, máquina caseira de mineração com potência modesta.

O que aconteceu: a própria Public Pool informou que foi o segundo bloco encontrado na plataforma por uma única Bitaxe. Dados on-chain mostram que, até o fechamento, as moedas seguiam paradas no endereço do minerador.

Em números: o equipamento operava na faixa de 1 TH/s (terahash por segundo), enquanto o hashrate total da rede do Bitcoin estava perto de 900 EH/s (exahash por segundo). Na prática, isso colocava a chance desse minerador em cerca de 1 a cada 17 mil anos. Por isso, a mineração solo costuma ser comparada a uma loteria.

Uma Bitaxe é uma máquina pequena de mineração que usa o mesmo tipo de chip presente em ASICs (equipamentos especializados para minerar), mas com apenas um chip, em vez de centenas trabalhando ao mesmo tempo. Um modelo de 1,3 TH/s aparece em sites especializados por cerca de 139 euros (aprox. R$ 815), sem incluir impostos e custos de importação.

Por que importa: casos assim mostram como a mineração doméstica ainda existe, mesmo diante de uma indústria bilionária dominada por grandes operações. Ao mesmo tempo, o retorno é altamente incerto: em um teste feito em 2025, dois irmãos gêmeos brasileiros concluíram que uma Bitaxe HEX minerando em pool (grupo de mineradores que divide recompensas) não cobriu nem o gasto com energia.

Para o leitor brasileiro, o episódio ilustra mais a raridade da mineração solo do que uma oportunidade prática de renda: o custo de energia e a chance mínima de sucesso seguem sendo os principais obstáculos.