O Ministério Público Federal (MPF) representou o Brasil em um treinamento nos Estados Unidos entre 25 e 27 de agosto, voltado à cooperação internacional no combate ao crime organizado. O encontro reuniu policiais, investigadores, peritos e especialistas em finanças de vários países, em Nashville, no Tennessee.

O procurador da República Helio Telho Corrêa Filho, do Núcleo de Combate à Corrupção (NCC) da Procuradoria da República em Goiás e integrante do Gaeco, foi o representante brasileiro. Segundo o MPF, a presença dele teve como foco ampliar a cooperação jurídica e operacional com agências estrangeiras e facilitar o compartilhamento de informações em casos transnacionais.

No evento, Telho apontou dificuldades do sistema brasileiro para rastrear e responsabilizar envolvidos em crimes econômicos, citando brechas no Código de Processo Penal, anulação de provas, excesso de recursos e demora nos processos, que podem levar à prescrição.

O MPF também destacou o Crypto-Hawala (esquema clandestino que converte dinheiro do crime em criptomoedas) e a chamada operação sanduíche, em que valores ilícitos são enviados entre várias carteiras fora de corretoras centralizadas para tentar escapar do monitoramento. A cadeia mistura sistema financeiro tradicional, fintechs e criptoativos para ocultar a origem e o destino final dos recursos.

Para quem está no Brasil, o caso mostra como investigações com criptoativos dependem cada vez mais de cooperação entre autoridades, bancos, fintechs e exchanges para seguir o dinheiro e identificar os responsáveis.