A OCEAN enfrenta uma crise de reputação depois de admitir que redirecionou o hashrate de alguns usuários para a cadeia minoritária do BIP-110 sem autorização clara. O episódio durou cerca de 18 horas e atingiu mineradores que acreditavam estar usando templates Stratum sem BIP-110. Na prática, eles acabaram minerando blocos em um fork separado.

O que aconteceu: a própria OCEAN reconheceu que parte dos mineradores pode ter sido enviada para a cadeia do BIP-110 mesmo após selecionar a opção sem a proposta. A falha pesou ainda mais porque o pool vinha defendendo devolver ao minerador o controle total do template de bloco, que é a estrutura com as transações e regras do bloco a ser minerado.

Reação: a resposta da comunidade de mineração foi dura. Um usuário no X chamou o caso de “sequestro” de hashrate. Adam Back, CEO da Blockstream, disse que o episódio foi inaceitável e afirmou que as perdas financeiras deveriam ser descontadas do salário de Luke Dashjr, cofundador da OCEAN.

A pressão aumentou depois que a Roughnecks, grupo de mineração responsável pelos únicos 2 blocos da cadeia do BIP-110, abandonou a iniciativa em 9 de agosto e pediu que outros mineradores também deixassem de apoiar a rede minoritária. Críticos dizem que pools jamais deveriam redirecionar o poder computacional de usuários para outra rede sem permissão explícita.

Em números: o hashrate reportado pela OCEAN despencou mais de 96% após a polêmica. O caso reacendeu a discussão sobre a influência dos pools na construção de blocos do Bitcoin e sobre até que ponto os mineradores realmente controlam para onde seu poder computacional está sendo direcionado.

Para quem acompanha BTC no Brasil, o caso reforça um ponto simples: infraestrutura de mineração também envolve risco operacional e de governança, mesmo quando a promessa é dar mais autonomia ao usuário.