O mercado de opções de ouro mudou de direção em agosto. Depois de meses em que a proteção contra queda era mais buscada, investidores passaram a pagar mais por instrumentos ligados à alta do metal, segundo a Susquehanna. Ao mesmo tempo, a volatilidade implícita de um mês segue perto de mínimas recentes.
O que aconteceu: o ouro fechou março, abril, maio e junho em queda e perdeu mais de 25% no período, apagando os ganhos do ano. Em julho, o movimento virou, com alta de cerca de 2%. Em agosto, a recuperação se acelerou: o metal voltou a ficar acima de US$ 4.300 (aprox. R$ 24,9 mil) e acumula valorização superior a 8% no mês.
Em números: os ETFs de ouro receberam US$ 3 bilhões (aprox. R$ 17,4 bi) em julho, encerrando dois meses de saídas. No mercado de opções, Chris Murphy, codiretor de estratégia de derivativos da Susquehanna, destacou a compra de 8 mil calls de novembro a 460 no SPDR Gold Trust por cerca de US$ 5,55 (aprox. R$ 32,20) cada. O fundo fechou a segunda-feira em US$ 405,49 (aprox. R$ 2.351,80), cerca de 13% abaixo desse nível.
Murphy disse à CNBC que o skew, indicador que compara o custo das opções de venda com o das opções de compra, migrou de forma expressiva das puts de baixa para calls de alta. Em outras palavras: o mercado saiu de uma postura mais defensiva para uma aposta maior na continuação da recuperação.
Ainda assim, a proteção não sumiu. Investidores compraram cerca de 25 mil puts de setembro a 350 por US$ 0,62 (aprox. R$ 3,60), um prêmio considerado modesto para se proteger de uma queda em torno de 14% abaixo do preço de mercado.
Para o leitor brasileiro, o recado é simples: decisões do seguem mexendo com ouro, dólar e juros globais, o que pode respingar no câmbio e no preço de ativos internacionais acompanhados daqui.




