O ouro ultrapassou US$ 4.600 (aprox. R$ 24,8 mil) por onça na sexta-feira e atingiu o maior nível em três meses. O avanço semanal chegou perto de 5%, com investidores procurando proteção diante da fraqueza do dólar e da tensão no mercado de títulos dos Estados Unidos.
O Tesouro americano dobrou nesta semana as recompras de títulos de longo prazo, numa tentativa de estabilizar o mercado depois que o rendimento dos papéis de 30 anos alcançou o maior nível desde 2007. O anúncio reduziu inicialmente os rendimentos e pressionou o dólar, fatores que favoreceram o ouro, um ativo que não gera renda periódica.
O levantamento mais recente do Bank of America mostrou que um saldo líquido de 16% dos gestores de fundos considera o ouro subvalorizado, acima dos 6% registrados em julho. Bancos centrais também mantêm compras elevadas, enquanto a dívida federal dos EUA já ultrapassou US$ 40 trilhões (aprox. R$ 216 trilhões).
Para quem investe no Brasil, a alta do ouro também depende do câmbio: uma valorização do dólar frente ao real pode elevar o preço do metal em reais, mesmo que a cotação internacional fique estável.
Analistas estão divididos sobre os próximos passos. A recuperação acima da média móvel de 200 dias, um indicador que compara o preço atual com a média dos últimos 200 pregões, é vista por alguns como sinal de retomada da alta. Ole S. Hansen apontou resistência perto de US$ 4.770 (aprox. R$ 25,8 mil) e mencionou US$ 5 mil (aprox. R$ 27 mil) como alvo potencial caso o dólar continue enfraquecido. Petróleo caro e inflação persistente, porém, podem elevar os rendimentos dos títulos e limitar o avanço do ouro.



