A Pantera Capital está pressionando a Satsuma Technology a vender sua tesouraria de US$ 50 milhões em Bitcoin, equivalente a cerca de 646 BTC, segundo reportagem da Bloomberg publicada em 23 de abril de 2026. A gestora detém aproximadamente 6,7% da empresa, listada na Bolsa de Londres, e havia apoiado a captação de US$ 218 milhões feita em 2025.
A situação ocorre após um período de instabilidade na Satsuma. Em dezembro de 2024, a companhia vendeu quase metade de seu Bitcoin para reembolsar detentores de notas conversíveis que não aceitaram converter os empréstimos em ações. Depois disso, o CEO Henry Elder e o CFO Andrew Smith deixaram a empresa até março de 2025, ampliando a pressão sobre a governança.
O que os números mostram
- A Satsuma mantém US$ 50 milhões em Bitcoin, cerca de 646 BTC, e ocupa a 57ª posição entre tesourarias corporativas em BTC.
- A empresa captou US$ 218 milhões em 2025, com mais de US$ 125 milhões liquidados diretamente em Bitcoin pelos subscritores.
- As compras mensais de Bitcoin por tesourarias corporativas fora da Strategy caíram de 69.000 BTC em agosto de 2025 para cerca de 1.000 BTC em 2026, segundo a CryptoQuant.
- A Satsuma negocia perto de US$ 0,21 por ação e tem valor de mercado de aproximadamente US$ 25 milhões, abaixo do valor do Bitcoin que mantém em caixa.
Segundo a reportagem, o volume envolvido seria pequeno diante do mercado global de Bitcoin, que gira entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões por dia. Ainda assim, o episódio pode ter peso simbólico maior do que financeiro, por indicar que investidores institucionais estão mais céticos com tesourarias corporativas menores focadas em BTC, enquanto a Strategy segue ampliando suas reservas.
Para o leitor brasileiro, o caso reforça como a exposição corporativa a Bitcoin pode depender não só do preço do ativo, mas também de governança, liquidez e acesso a capital em mercado.




