As stablecoins não foram feitas para substituir o PIX, segundo Antônia Souza, diretora de moedas digitais da Visa para a América Latina e o Caribe. Na avaliação da executiva, os dois instrumentos atendem demandas diferentes: o PIX resolve pagamentos instantâneos do cotidiano, enquanto as stablecoins aparecem mais em remessas ao exterior e na exposição simplificada ao dólar.
O que aconteceu: Souza afirmou que a Visa trata os dois modelos como complementares. Ela citou o desenvolvimento do Visa Connector, iniciador de pagamentos da empresa para facilitar transações via PIX, como sinal de que a companhia vê espaço para os dois sistemas operarem lado a lado.
Por que importa: A exceção, segundo ela, está em países sem uma infraestrutura ampla de pagamentos instantâneos. Na Colômbia, por exemplo, uma stablecoin atrelada ao peso ajuda em transferências imediatas. Já no restante da região, disse Souza, o uso mais comum envolve stablecoins ligadas ao dólar e voltadas a operações internacionais, não a compras rotineiras.
Para o leitor brasileiro, a fala reforça que o avanço das stablecoins não muda o papel central do PIX no dia a dia, mas pode ampliar alternativas para envio de dinheiro ao exterior e liquidação internacional.
Souza também criticou a tentativa de aplicar stablecoins a qualquer problema. Segundo ela, o foco deveria estar nos casos em que esse tipo de ativo resolve algo que outros meios não resolvem. A executiva afirmou ainda que o Brasil já tem mais investidores em cripto do que na B3 e citou o país, ao lado de México e Argentina, entre os mercados de maior destaque na região.
Em números: a Visa informou que seu piloto de liquidação com stablecoins já alcançou volume anualizado de US$ 7 bilhões (aprox. R$ 40,6 bi). A empresa também mantém mais de 140 programas ativos de cartões com stablecoin no mundo, em sua maioria operados por fintechs.




