Investidores colocaram um recorde de US$ 7 bilhões (aprox. R$ 40,6 bi) em fundos de ouro e Bitcoin em apenas cinco dias, segundo dados citados por analistas de mercado. O fluxo reforça a pressão sobre a tradicional carteira 60/40, que combina 60% em ações e 40% em títulos.
Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, disse que esse modelo fica exposto ao dólar fiduciário porque os dois blocos da carteira dependem da mesma moeda de referência. Para ele, a busca por ouro e Bitcoin mostra que parte do mercado quer diversificação fora desse risco.
Eric Balchunas, analista sênior de ETF da Bloomberg, chamou a migração de “trade de desvalorização”, uma aposta em ativos que nenhum governo pode emitir. Na semana, a SPDR Gold Shares (GLD) recebeu US$ 3,4 bilhões (aprox. R$ 19,7 bi) e o iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock somou pouco mais de US$ 1 bilhão (aprox. R$ 5,8 bi), enquanto o ETF VanEck Semiconductor (SMH) perdeu US$ 1,7 bilhão (aprox. R$ 9,9 bi).
No Brasil, esse tipo de movimento costuma aparecer como busca por proteção em ativos escassos, sobretudo quando o dólar pesa sobre carteiras e preços globais.
A tese ganhou força depois de a dívida dos EUA ultrapassar US$ 40 trilhões em 19 de agosto e o rendimento do título do Tesouro de 30 anos tocar 5,337%, o maior nível desde 2007. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, respondeu ampliando recompras de títulos de longo prazo para pelo menos US$ 4 bilhões por operação a partir de 9 de setembro.
O Bitcoin era negociado perto de US$ 79.144 (aprox. R$ 458,1 mil), alta de 0,55% em 24 horas. O principal ETF de ouro avançou cerca de 8% em 2026, enquanto o IBIT acumula queda de aproximadamente 10% no ano.




