O primeiro ataque quântico contra a criptografia usada no Bitcoin pode ser bem menos chamativo do que muita gente imagina. Em vez de um roubo imediato de grandes carteiras, o cenário mais provável, segundo executivos do setor, é uma série de invasões aparentemente comuns, sem pistas claras de que um computador quântico foi usado.

O que aconteceu: Christopher Smith, CEO e cofundador da Quantus Network, afirmou que um invasor com acesso a um computador quântico suficientemente poderoso poderia obter uma chave privada a partir de chaves públicas expostas na blockchain. Com isso, seria possível mover fundos sem invadir os sistemas internos de uma carteira, de um dispositivo ou de uma corretora.

“Quando alguém quebra sua chave, você não recebe um memorando explicando como isso foi feito”, disse Smith. Na prática, isso dificultaria muito identificar o chamado “Dia Q”, nome dado ao momento hipotético em que computadores quânticos passariam a quebrar a criptografia de chave pública usada hoje.

Por que importa: segundo Smith, em um roubo contra uma organização altamente segura, a principal evidência forense poderia ser justamente a ausência de sinais de violação. Isso faria o primeiro ataque quântico parecer uma invasão comum, sem deixar rastros claros sobre o método usado.

Para o leitor brasileiro, o ponto central é que um eventual avanço desse tipo afetaria toda a infraestrutura baseada em criptografia de chave pública, incluindo serviços ligados ao mercado cripto.