Projetos de cripto já gastaram cerca de US$ 640 milhões (aprox. R$ 3,7 bi) em recompras dos próprios tokens em 2026. O movimento mostra como o setor tem adotado práticas comuns entre empresas de capital aberto, ao usar receita para retirar do mercado parte dos ativos emitidos.

Esse volume representa alta de cerca de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. O salto fica ainda mais claro na comparação com 2024, quando os gastos com recompras somaram apenas US$ 366 mil (aprox. R$ 2,1 mi).

No centro dessa tendência estão Hyperliquid e Pump.fun, que concentram quase 90% de todo o valor gasto atualmente com recompras. A prática ganhou espaço como uma nova frente no mercado cripto, num momento em que projetos passam a copiar mecanismos mais associados à TradFi, abreviação usada para o sistema financeiro tradicional.

A discussão, porém, vai além do volume movimentado. O avanço das recompras recoloca uma questão para o mercado: essas operações realmente criam valor duradouro para os projetos ou apenas fazem os tokens parecerem mais valiosos no curto prazo?

Para o investidor brasileiro, o ponto central é separar efeito de preço de fundamento: recompra de token pode reduzir oferta em circulação, mas isso não garante, por si só, geração de valor no longo prazo.