Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, afirmou na última semana que o inverno do Bitcoin chegou ao fim enquanto o BTC era negociado acima de US$ 78.000 (R$ 468.000). A fala veio depois de a empresa acrescentar 13.927 BTC à tesouraria e elevar suas reservas para 780.897 BTC, avaliadas em cerca de US$ 60,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 365 bilhões.
A Strategy sustenta a tese de que a compra contínua de Bitcoin reduz a oferta disponível no mercado e pode reforçar a pressão de alta no preço. Saylor já havia reconhecido uma “crypto winter” no início de 2026, classificando aquele período como o quinto grande drawdown desde 2021, embora mais brando do que os ciclos de 2018 e 2022 por causa de uma infraestrutura institucional mais forte.
O que os dados mostram
Os indicadores, porém, ainda não entregam consenso sobre a tese de virada. O Bitcoin ficou acima de US$ 78.000 em 22 e 23 de abril de 2026, mas encontrou resistência abaixo de US$ 80.000 (R$ 480.000), nível visto como decisivo para sustentar uma mudança mais clara de tendência.
- O open interest dos futuros de Bitcoin caiu mais de 6% em 24 horas.
- As taxas de financiamento ficaram negativas.
- A procura por proteção de baixa no mercado de opções seguiu elevada.
- Grandes carteiras continuam acumulando BTC em ritmo acelerado.
- A dominância do Bitcoin segue alta, enquanto as altcoins continuam com desempenho inferior.
Mati Greenspan, fundador da Quantum Economics e ex-analista sênior da eToro, avaliou que o flash crash de 10 de outubro, que provocou cerca de US$ 19 bilhões (R$ 114 bilhões) em liquidações em 24 horas, não caracterizou um inverno cripto, mas sim uma correção forte dentro de um mercado de alta mais amplo. Já Jason Fernandes, cofundador da AdLunam, afirmou que, mesmo para quem enxergue melhora no BTC, “ainda está muito frio para as altcoins”.
Para o leitor brasileiro, isso sugere cautela na leitura de narrativas de mercado: mesmo com compras institucionais relevantes, o comportamento de preço e os derivativos ainda pesam na avaliação de risco.




