O Federal Reserve encerra sua reunião de abril em 29 de abril de 2026, quando divulga o comunicado do FOMC e recebe atenção especial na coletiva de Jerome Powell. Nesse momento, o Bitcoin gira em torno de US$ 94.000, perto de R$ 564.000, após ter se recuperado do fundo de US$ 83.383 registrado depois da decisão de janeiro. Já na manhã de 30 de abril, os EUA publicam o PIB do primeiro trimestre de 2026 e os dados de Renda e Despesas Pessoais de março, que incluem o índice PCE, indicador de inflação mais acompanhado pelo Fed.

O que está em jogo

A proximidade entre esses anúncios aumenta o potencial de volatilidade. Primeiro, o mercado tenta interpretar o tom do Fed; em seguida, precisa recalibrar expectativas com base nos dados de atividade e inflação. Em janeiro, o Bitcoin caiu 7,3% nos dois dias seguintes à decisão de manutenção dos juros, o que reforça a sensibilidade do ativo a esse tipo de janela macroeconômica.

  • A expectativa é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, com probabilidade de 97% segundo o CME FedWatch.
  • Um PIB acima de 2,5% anualizado pode reforçar a leitura de economia resiliente e sustentar juros altos por mais tempo.
  • Um núcleo do PCE acima de 2,8% anual tende a ser visto como sinal hawkish.
  • Leituras mais fracas de PIB e inflação podem fortalecer a tese de cortes de juros ainda em 2026.

Níveis e sinais monitorados

O mercado também acompanha referências técnicas e institucionais. O BTC está acima da média móvel de 50 dias, mas ainda não confirmou rompimento estrutural acima de US$ 97.000. Ao mesmo tempo, os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos seguem com entradas positivas nas últimas semanas, com destaque para o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock. Segundo a análise da origem, fluxos diários acima de US$ 200 milhões ajudam a sustentar a narrativa de demanda institucional.

Para o investidor brasileiro, o câmbio amplia esse efeito: com o dólar perto de R$ 6,00, uma decisão mais dura do Fed pode pressionar tanto o BTC em dólar quanto o retorno em reais.

Na prática, a semana deve ser definida pela sequência entre discurso do Fed, números do PIB, leitura do PCE e reação dos fluxos para ETFs. Se a combinação indicar desaceleração econômica com inflação mais comportada, o mercado pode voltar a testar patamares mais altos. Se os dados vierem mais fortes e pressionarem a visão de juros elevados por mais tempo, o Bitcoin pode voltar a olhar para a faixa de suporte entre US$ 88.000 e US$ 90.000.