Um site lançou a criptomoeda B22 na terça-feira (6) e passou a oferecer tokens a quem compartilha mensagens e vídeos favoráveis ao voto em Flávio Bolsonaro. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo na quinta-feira (8).
Token é uma unidade digital registrada em uma blockchain, sistema público e compartilhado usado para registrar transações. Para participar, o usuário precisa divulgar o projeto nas redes sociais e demonstrar que integra a comunidade B22. O número corresponde ao utilizado pelo senador na disputa pela Presidência da República.
A iniciativa também é promovida com vídeos de crianças em Uganda, na África. Em uma publicação, crianças aparecem com camisetas do B22 e repetem pedidos de voto no número 22; o vídeo alcançou 1,2 milhão de visualizações. O site afirma que parte das vendas ajudará projetos da organização HypersKids Africa, cujo perfil no Instagram tem 12,9 milhões de seguidores.
A B22 é apresentada como uma memecoin, categoria de criptomoedas cujo preço costuma depender da atenção nas redes e da especulação. Isso significa que o participante só teria ganho financeiro se o token se valorizasse, sem garantia de retorno. O advogado eleitoral Hélio Silveira e a pesquisadora Nina Santos classificaram a estrutura como potencialmente ilegal por oferecer incentivos financeiros para a divulgação de propaganda eleitoral. O site, por sua vez, afirma que a distribuição é independente de preferência política e que o projeto não tem vínculo com político, partido ou campanha.
Para o leitor no Brasil, o caso combina promoção de criptoativos, financiamento humanitário e propaganda eleitoral, áreas sujeitas a regras diferentes e que podem gerar questionamentos na Justiça Eleitoral.



