As stablecoins passaram a facilitar a saída de dinheiro da América Latina em transações de varejo, e não só entre grandes fortunas. Na Argentina, o saque médio em plataformas de cripto para pessoas físicas, como a Lemon Wallet, é de US$ 544 (aprox. R$ 3,2 mil), enquanto a transferência mediana fica entre US$ 150 e US$ 270 (aprox. R$ 870 e R$ 1,6 mil).

O dado faz parte do relatório The Exodus Economy, da BeInCrypto Intelligence, que mapeou seis rotas de saída de capital e auditou 12 produtos vendidos como contas em dólar. Entre eles, só dois mantinham saldos de clientes em depósitos bancários segurados nos Estados Unidos. Cinco dependiam diretamente de stablecoins, e dez não passaram em testes básicos de autoverificação.

No Brasil, o estudo usa uma comparação entre poupança local e dólar desde 2016 para mostrar que o movimento não se explica apenas por rendimento. O CDI teria saído de uma base 100 para cerca de 150 ao longo da década seguinte, enquanto dólares sem rendimento terminaram em 99. Ainda assim, a riqueza declarada de brasileiros no exterior chegou a cerca de US$ 654 bilhões (aprox. R$ 3,8 tri) em 2024. Para Farhad Farhadi, CEO da Intelliwealth, esse comportamento se parece mais com a compra de um “seguro” de conversibilidade e opção de jurisdição do que com uma busca pura por retorno.

Para o leitor no Brasil, a leitura é direta: mesmo quando o rendimento local é competitivo, confiança institucional, acesso ao dólar e facilidade de movimentação continuam pesando na decisão de onde guardar patrimônio.

O relatório também indica que esses dólares digitais circulam rápido: mais de 99% do volume sacado continuava em movimento em até 30 dias. Na prática, o dinheiro tem sido usado para pagar salários, fornecedores, contas e despesas do dia a dia, e não apenas como reserva. Keith Vander Leest, diretor-geral nos EUA da , disse que, dependendo da métrica, o ritmo dos dólares em blockchain é cerca de mais rápido.