A Strategy afirma que 91% de seu balanço é financiado por capital permanente, sem prazo de vencimento ou possibilidade de saque por depositantes. Em um slide para investidores, a companhia diz ter déficit de financiamento de curto prazo igual a zero, enquanto atribui ao JPMorgan um déficit negativo de US$ 1,2 trilhão (aprox. R$ 7,0 trilhões).
Bancos captam recursos de curto prazo e concedem empréstimos que podem levar anos para ser pagos. Isso cria o risco de uma corrida bancária (saques em massa), como ocorreu no Silicon Valley Bank: clientes solicitaram US$ 42 bilhões (aprox. R$ 243,6 bilhões) em um único dia, em março de 2023, e a instituição foi fechada na manhã seguinte.
A Strategy não tem depositantes. A empresa afirma deter 845.050 BTC, comprados principalmente com a emissão contínua de ações preferenciais — papéis que pagam dividendos fixos e não têm vencimento. O registro de 8 de setembro informa que não há obrigações com vencimento nos 12 meses seguintes.
A comparação, contudo, utiliza critérios próprios. O slide fala que 48% do balanço do JPMorgan é financiado por depósitos sacáveis, mas o registro de junho do banco mostra US$ 2,71 trilhões (aprox. R$ 15,7 trilhões) em depósitos diante de US$ 5,02 trilhões (aprox. R$ 29,1 trilhões) em ativos — uma proporção de 54%.
A Strategy pagou, em média, US$ 75.415 (aprox. R$ 437,4 mil) por cada Bitcoin, que era negociado perto de US$ 78.498 (aprox. R$ 455,3 mil) no momento do levantamento. A reserva, avaliada em US$ 66,8 bilhões (aprox. R$ 387,4 bilhões), estava cerca de 5% acima do custo médio. Ainda assim, a empresa gastou US$ 400,7 milhões (aprox. R$ 2,3 bilhões) em dividendos preferenciais no segundo trimestre, mantinha US$ 5,10 bilhões (aprox. R$ 29,6 bilhões) em caixa e tinha US$ 6,71 bilhões (aprox. R$ 38,9 bilhões) em dívidas.




