A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, reportou um prejuízo não realizado de US$ 14,46 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo filing 8-K enviado à SEC. Ao fim do trimestre, a empresa tinha 762.099 BTC em carteira e, entre 1º e 5 de abril, comprou mais 4.871 BTC por cerca de US$ 330 milhões, elevando o total para 766.970 bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 53 bilhões.
A perda informada é contábil e decorre da marcação a valor justo dos ativos digitais, adotada pela companhia no início de 2025. Com a queda do Bitcoin em relação às máximas anteriores durante o 1T26, o valor da carteira recuou no balanço, embora a empresa não tenha vendido BTC no período. O filing também aponta um ativo fiscal diferido de US$ 2,42 bilhões, que pode compensar parcialmente esse impacto em exercícios futuros, caso haja lucros tributáveis.
Entre os principais números divulgados pela empresa, estão:
- prejuízo não realizado de US$ 14,46 bilhões no 1T26;
- ativo fiscal diferido de US$ 2,42 bilhões;
- posição total de 766.970 BTC;
- custo médio de aquisição de US$ 75.644 por BTC;
- financiamento das compras por meio de programas at-the-money que somam US$ 44,1 bilhões, incluindo ações MSTR, STRC e STRK.
Impacto no mercado
O custo médio da Strategy segue acima do preço atual do BTC, o que mantém a empresa em posição técnica de perda latente. Ainda assim, a companhia preservou seu ritmo de compras, indicando que sua estratégia de longo prazo não foi alterada pelas oscilações trimestrais.
Para o leitor brasileiro, o caso ajuda a mostrar como grandes posições em cripto podem gerar forte volatilidade contábil em balanços, um ponto relevante para empresas, fundos e tesourarias que acompanham a exposição institucional ao BTC.
O movimento também pode influenciar a percepção de investidores institucionais sobre o modelo de acumulação corporativa em Bitcoin. Embora a Strategy não tenha sinalizado venda forçada de ativos nem enfrente obrigação imediata de liquidar sua carteira, o tamanho da perda contábil tende a colocar mais pressão sobre a tese de que companhias abertas podem atuar como compradoras estruturais de BTC de forma estável.




