Wall Street concentrou suas apostas em ações em meio ao cenário de economia “Goldilocks”, com inflação mais comportada, crescimento firme e lucros resilientes. Ainda assim, o Bitcoin (BTC), que muitas vezes anda junto com ativos de tecnologia mais voláteis, ficou de fora desse rali.

O que aconteceu: Fundos de ações agora representam 64,7% dos US$ 72,9 trilhões (aprox. R$ 422,8 tri) em ativos acompanhados pela EPFR Global, excluindo commodities. Segundo estrategistas do Societe Generale, esse é o maior nível de exposição ao risco já registrado entre investidores de fundos.

Por que importa: esse movimento sugere que boa parte do dinheiro já está posicionada em bolsa. Levantamentos do Bank of America mostram caixa em níveis historicamente baixos, enquanto dados do Deutsche Bank (DB) indicam fundos sistemáticos fortemente comprados em ações. Para o JPMorgan Chase (JPM), o humor do mercado ficou até melhor do que o cenário Goldilocks esperado pelos otimistas.

Do lado do cripto, o quadro foi outro. Pesquisa da NYDIG, liderada por Greg Cipolaro, mostra que o Bitcoin caiu 32,9% no acumulado do ano e 13,4% no segundo trimestre. No mesmo período, o Nasdaq 100 subiu 27,7%, enquanto ações de tecnologia avançaram 43,5%.

Em números: a diferença não veio de uma rejeição ampla ao risco. A correlação de três meses entre o Bitcoin e o S&P 500 continuou alta no trimestre, segundo a NYDIG. O peso maior veio da oferta no mercado cripto: a Strategy autorizou cerca de US$ 1,25 bilhão (aprox. R$ 7,3 bi) em vendas de Bitcoin, e os ETFs à vista da criptomoeda tiveram saídas de US$ 4,9 bilhões (aprox. R$ 28,4 bi) no trimestre.

Os fluxos voltaram ao terreno positivo em meados de julho, e o Bitcoin era negociado perto de US$ 63.871 (aprox. R$ 370 mil). Para a NYDIG, uma recuperação mais sólida depende da entrada contínua de dinheiro nos ETFs e do avanço na emissão de stablecoins (criptomoedas pareadas a ativos como o dólar).

Para o brasileiro, o movimento ajuda a entender que o BTC pode não responder da mesma forma que a bolsa americana, mesmo em fases de maior apetite por risco. Isso pesa na leitura de exposição em corretoras, tributação e gestão de patrimônio em real.