O XRP passou a ser negociado abaixo de US$ 1 (aprox. R$ 5,80) em 11 de agosto, a primeira vez desde 2024, após um ataque à ponte da Coreum no dia 9 de agosto. Segundo os dados do incidente, um invasor retirou cerca de 200 mil XRP em 97 minutos, enquanto a ponte interrompeu as operações.

O que aconteceu: a conta da ponte tinha cerca de 200.410 XRP antes do ataque. A partir das 16h16 de Brasília, foram feitos 94 pagamentos que somaram 199.916,3 XRP para duas carteiras criadas recentemente, deixando só 493,5 XRP no endereço.

Falha encontrada: o problema não estava no XRP Ledger, mas no software do relayer da ponte, que monitora transações entre redes e autoriza movimentações. O sistema não checava se o pagamento tinha como destino a própria ponte antes de liberar o crédito correspondente na Coreum. Com isso, transferências entre carteiras controladas pelo invasor foram tratadas como depósitos legítimos.

Por que importa: cada envio saiu com autorização válida, assinada por 17 de 28 chaves de relayer no esquema de multiassinatura (modelo em que várias assinaturas são exigidas para aprovar uma transação). Ou seja, não houve falha no consenso da rede nem exposição de chaves privadas; a premissa usada pelo sistema é que estava errada.

Para o leitor brasileiro, o caso mostra um risco comum em pontes entre blockchains: o problema pode estar na integração entre redes, mesmo quando a blockchain principal segue funcionando normalmente.

A sequência do ataque começou com transferências menores, que dobraram de valor antes de uma rotina constante de envios, com média de 1.695 XRP a cada 50 segundos. As carteiras receptoras também repassaram quase todo o saldo logo depois, o que dificulta rastrear o destino final dos valores.

No mercado, o XRP recuava cerca de 3,30% nas últimas 24 horas e era negociado abaixo de US$ 1 (aprox. R$ 5,80). A Coreum suspendeu a ponte e ainda não divulgou o relatório oficial pós-incidente nem a linha do tempo completa para retomada.