O XRP avançou 10,40% em 19 de agosto e ficou à frente do Bitcoin (BTC), que subiu 7,13%, em um dia marcado por short squeeze (quando investidores apostados na queda são forçados a recomprar, acelerando a alta). O movimento colocou o token entre os desempenhos mais fortes desde 2020, mas os dados mais amplos ainda sugerem prudência.

O que aconteceu: Pelos cálculos com base na relação do XRP com o BTC nos últimos 180 dias, a alta do Bitcoin explicaria algo perto de 6,57% do movimento. O token, porém, entregou 10,40%, um ganho extra de 3,83 pontos percentuais. Foi o maior salto diário desde 6 de fevereiro, quando o ativo avançou 21%.

Por que importa: A força do dia foi real, mas não veio acompanhada do mesmo apoio institucional visto em outros ativos. Enquanto os ETFs spot de Bitcoin receberam US$ 517 milhões (aprox. R$ 2,8 bi) em 19 de agosto, os fundos de XRP viram o fluxo diário cair de US$ 5,81 milhões (aprox. R$ 31,9 mi) para US$ 2,35 milhões (aprox. R$ 12,9 mi). Na prática, o dinheiro maior entrou no mercado, mas preferiu outros ativos.

Em números: Desde 2020, houve 14 dias em que o BTC subiu pelo menos 7% e o XRP foi além. Depois desses episódios, a mediana de retorno do token nos sete dias seguintes foi de -3,84%, e só cerca de um terço terminou a semana em alta. Desta vez, o pano de fundo também pesa: um recorde de US$ 2,74 bilhões (aprox. R$ 15,1 bi) em posições vendidas foi encerrado à força em 24 horas, o que ajuda a explicar a disparada.

No gráfico, o XRP segue preso em um canal de baixa desde meados de maio. O candle de tocou a linha superior desse intervalo, mas não rompeu a barreira. Ao mesmo tempo, o volume de compras perdeu força, o interesse aberto em futuros recuou desde o rali, e o token ainda negocia cerca de abaixo de sua tendência de frente às principais altcoins.